Há anos que fotografo o silêncio dos espaços. Aprendi a ver a luz e a esperar antes de a capturar. Aprendi que os edifícios têm memória, que o espaço tem um ritmo. Não é estático. Existe uma tensão viva entre os espaços cheios e vazios, entre a luz e a sombra, que faz com que o espaço se expanda e se contraia à medida que nos movemos através dele. É como uma respiração. É como as emoções. É como a própria Vida. A geometria respira. Com o passar do tempo, à medida que fui vivendo várias experiências, uma ideia, um sentimento, foi-se enraizando gradualmente dentro de mim: outro mundo de igual beleza — igualmente complexo, igualmente cheio de luz e sombra, igualmente vivo — estava à espera de ser relembrado. O mundo interior. Voltar a Casa é um registo dessa beleza. Uma conversa sobre a viagem de regresso a si mesmo — através do que permaneceu oculto, do que nos oprime sem que lhe tenhamos dado um nome: as feridas, as crenças limitantes, a sombra projectada pelo ego. Este podcast é um convite. Não para seguires um método. Não para comprares um sistema. Não para seres uma versão melhorada de ti próprio segundo critérios que não escolheste. É um convite para voltares a casa. Para limpares o cálice que és — esse recipiente de luz — de tudo o que se foi acumulando sobre ele. Para ouvires a centelha que sempre esteve lá. Para descobrires que a beleza que passaste a vida a procurar lá fora — nas paisagens, nas pessoas, nos momentos — existe também dentro de ti. Com a mesma intensidade. Com a mesma luz. Tenho andado anos a registar a beleza do mundo exterior. Agora quero mostrar o registo da beleza do mundo interior. Bem-vindo a Voltar a Casa.
© Ricardo Oliveira Alves
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